Sobre Cores & Flores
Querida Flor de Hibisco,
Os dias se arrastam como sombras em um verão tropical, uma rotina que já parece se estender por esses trinta e poucos anos. Apenas as flores conseguem desafiar essa monotonia, brotando com cores vibrantes em meio ao cinza da selva de concreto e aço. É por isto que as busco incansavelmente, em cada esquina e bar, como um peregrino à procura de um oásis em um deserto de desencanto.
Após cada dose, no último trago de cigarro, meu olhar se perde nas cores que florescem ao redor. Oh, como são belas as flores! Com suas formas delicadas e aromas envolventes, elas guardam mistérios que ainda não decifrei, sutilezas que sempre desejei e encantos aos quais devoto a alma.
E assim, mesmo em meio a uma tempestade de areia que parece sufocar o espírito sob tua fúria, as flores sempre trazem um sopro de vida. São elas que me lembram que a beleza pode surgir onde menos se espera, mesmo em tempos desolados.
Imaginas, tu, querida, que, nesses últimos dias, encontrei uma flor? Tua cor é de um rosa vibrante que alegra as meninas dos olhos e faz par com o púrpura dos meus próprios cachos. Teu perfume parece sussurrar delícias ao pé do ouvido e me arrepiar a espinha. Ah! E como é doce o teu néctar, tão doce quanto o mel das flores do buriti!
E esta flor, tão desejada mas não esperada, com suas cores saturadas e a sutiliza de uma brisa, tem proporcionado momentos de encantos e contemplações, alegrias sutis como aquelas sensações da infância outrora esquecidas e agora tão vívidas quanto estas palavras que a ti escrevo.
Pouco sei sobre os dias que virão mas o presente tem sido uma dádiva a qual, em cânticos, devoto minha gratidão e as deusas da luxúria, da paixão, do amor e inegavelmente, da loucura, dedico a minha oração.
A ti envio estas palavras como uma confissão, pois contigo anseio em compartilhar todas as minhas felicidades.
Com amor e carinho, [...]
Carta enviada para uma amiga
— Por Júnior Oliveira e seus outros alter egos
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