orixás

Estudo da umanda e espiritualidade de matriz africana

Eu faço anotações do que eu vou aprendendo e compartilho aqui, se entendi algo errado manda uma mensagem eletrônica para guto@carvalho.life que eu corrijo aqui ;)

Na umbanda você vai perceber que o pai nosso é diferente daquele de outros cultos religiosos tradicionais, alguns chamam de “Pai nosso da Natureza” e outros de “Pai nosso da Umbanda”.

Após pesquisar não achei um autor tal como temos para o Hino, ao que me parece, essa releitura foi algo passado pelos guias e adotado nos terreiros de forma natural e compartilhada.

Pai Nosso que estais nos céus, nas matas, nos mares e em todos os mundos habitados. Santificado seja o teu nome, pelos teus filhos, pela natureza, pelas águas, pela luz, e pelo ar que respiramos.

Que o teu reino, reino do bem, reino do amor e da fraternidade, nos una a todos e a tudo que criastes em torno da sagrada cruz, aos pés do Divino Salvador e Redentor.

Que a tua vontade nos conduza sempre a vontade firme para sermos virtuosos e úteis aos nossos semelhantes. Dai-nos hoje o pão do corpo, o fruto das matas e a água das fontes para o nosso sustento material e espiritual. Perdoa, se merecermos, as nossas faltas e dá o sublime sentimento do perdão para os que nos ofendam.

Não nos deixeis sucumbir ante a luta, dissabores, ingratidões, tentações dos maus espíritos e ilusões pecaminosas da matéria. Envia nos Pai, um raio da tua divina complacência, luz e misericórdia para os teus filhos pecadores que aqui habitam, pelo bem da humanidade, nossa irmã.

Assim seja e assim será, pois essa é a Vossa vontade, Olorum, Nosso Divino Pai Criador.

Ele geralmente é falado no começo dos trabalhos, mas isso pode variar.

:)

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Apesar de existirem muitos tipos de Umbanda, apesar de cada casa, terreiro, tenda ou templo ter suas orientações e formas particulares de cultuar os Orixás, e de trabalhar com as entidades e guias, um elemento é comum em todas as casas, seu Hino.

O Hino da Umbanda escrito por José Manuel Alves, músico português, é oficial em todas as casas de Umbanda.

Refletiu a luz divina
 com todo seu esplendor
é do reino de Oxalá
 Onde há paz e amor
 Luz que refletiu na terra
 Luz que refletiu no mar
 Luz que veio de Aruanda
 Para tudo iluminar 
 Umbanda é paz e amor
 Um mundo cheio de luz
 É força que nos dá vida
e a grandeza nos conduz.
 Avante filhos de fé,
 Como a nossa lei não há,
 Levando ao mundo inteiro
 A Bandeira de Oxalá ! — Autor: José Manuel Alves

Curiosidades

José Manuel, músico e compositor, veio de Portugal para o Brasil em 1929.

José Manuel foi em um terreiro de Umbanda para tentar curar sua cegueira, cego de nascença, buscava enxergar. Ele ouviu sobre uma nova religião foi atrás do Caboclo Sete Encruzilhadas para ajudá-lo. Durante o atendimento o cabloco disse que não era possível curar uma cegueira de origem cármica, mesmo assim, José se apaixou pela Umbanda e decidiu escrever a música em 1960.

Segundo consta, José Manuel dizia que a Umbanda não era para ser vista com os olhos físicos, era para ser vista olhos da alma.

O Hino foi oficializado pelo Caboclo Sete Encruzilhadas em 1961 no segundo congresso de Umbanda, e novamente em 1976 na primeira Convenção do Conselho Nacional Deliberativo de Umbanda.

José Manuel Alves decidiu que não iria cobrar direitos autorais, só pediu que não alterem a letra e que mantenham seu nome como autor da obra, ele também pediu que coloquem a mão no coração ao cantar o hino. A melodia é de Dalmo da Trindade Reis.

Além do Hino ele escreveu diversos pontos de Umbanda para terreiros e músicas populares para intérpretes da época.

Referências

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Quando você começa a frequentar um terreiro vai ouvir que tal semana tem gira de direita ou esquerda, o que pode ser confuso no início, é muito simples de entender.

Quando falamos em Giras de Direita estamos tratando de entidades que vão irradiar energia (irradiação) pra gente, enquanto na Gira de Esquerda as entidades vão consumir energias (consumação) que não fazem bem pra gente.

Direita e esquerda nada mais são do que polos diferentes, assim como positivo, negativo, ativo, passivo, masculino, feminino, 0 e 1, e são a parte de um todo.

Não tem bem ou mal, certo ou errado, são energias distintas, as quais são trabalhadas em dias específicos em cada terreiro.

Gira de Esquerda

Gira com entidades que atuam absorvendo desequilibrios, vícios, energia negativa e a energia mais densa do consulente.

Eles literalmente descarregam o consulente.

Exu e Pombagira atuam mais perto da crosta terreste, mais próximo do consulente, e são especializados em trabalhar estas energias densas, as quais a linha da direita teria mais dificuldade de trabalhar.

Eles nos ajudam a identificar o que está errado dentro de nós, e nos permitem trabalhar a preguiça, a tristeza, a angústia, a depressão, a ansiedade, dentre outras manifestações, mostrando um lado que normalmente não queremos ver, para que assim então possamos aceitar e para que eles possam nos ajudar.

É uma bonita limpeza energética, se o consulente permitir.

Entidades:

  • Exus
  • Pombagiras
  • Exus Mirins
  • Pombagiras Mirins
  • Malandros
  • Cangaceiros

Gira de Direita

Gira com entidades que atuam irradiando energias salutares e sublimes para ajudar o consulente. As entidades vão trabalhar na linha da fé, do amor, da justiça, da superação, dentre outras manifestões divinas e vão recarregar e reequilibrar o consulente.

Entidades:

  • Caboclos e Cablocas
  • Pretos velhos e Pretas velhas
  • Erês
  • Marinheiros(as) e Marujos(as)
  • Boiadeiros e Boiaderas
  • Baianas e Baianos
  • Povo Ciganos
  • Malandros

Exceções

Existem entidades que podem atuar nas duas linhas ou polos, malandros e ciganos são bons exemplos, dentre outros, é importante saber que existem exceções.

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Ficar descalço no terreiro, especialmente na Umbanda, simboliza humildade, respeito ao solo sagrado e conexão direta com a energia da terra (ancestralidade e orixás).

Esse ato permite o aterramento (descarrego de energias negativas) e a purificação, removendo as sujeiras do mundo exterior antes de entrar no espaço ritualístico, focando na espiritualidade.

Significados e Fundamentos

Conexão e Ancestralidade: O solo do terreiro é considerado sagrado, a casa dos Orixás e guias. Estar descalço facilita a troca de energias, onde o médium se conecta com a força da natureza e dos ancestrais.

Humildade e Igualdade: Representa a remoção das vaidades e distinções materiais. Diante do sagrado, todos estão em pé de igualdade, reconhecendo a própria simplicidade.

Purificação Energética (Aterramento): Os pés agem como condutores que dissipam energias densas ou negativas acumuladas, servindo como um “para-raios” para o solo, essencial durante os trabalhos espirituais.

Respeito: É uma forma de não trazer as impurezas físicas e energéticas da rua (“sujeira do mundo”) para o ambiente de fé.

Tradição: Remete à cultura dos povos originários e negros escravizados, que cultuavam suas crenças em contato direto com a terra.

Embora comum para médiuns em giras, o ato de ficar descalço pode ser facultativo para a assistência em alguns terreiros, mas é altamente recomendado como forma de vivenciar a experiência espiritual.

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Essa anotação eu criei quando comecei a ouvir sobre as sete linhas da umbanda ou sete tronos da umbanda dentro do templo, tenda ou terreiro.

Apenas para fixar o que eu aprendi:

  1. Olurum é o criador de tudo.
  2. Oxalá é o Rei dos Orixás.
  3. Aruanda é o plano e/ou cidade espiritual onde moram os guias e os Orixás.

É importante ressaltar que o terreiro que frequento segue a linha de Rubens Saraceni e as informações abaixo vem de sua codificação.

Voltando as sete linhas ou sete tronos, eu entendi que isso se conecta com o que chamam de essências e manifestações da Coroa Divina.

É na Coroa Divina que se assentam as essências e manifestações divinas.

As setes linhas também são chamadas de Setenário Sagrado.

Existem sete essências que se desdobram em manifestões diversas.

Quando falam de uma essência da Coroa Divina, imagine uma Coroa com sete pontas, onde cada ponta representa uma essência divina.

Entenda os Orixás como jardineiros, cada um cuidando de uma essência em um vasto Jardim, ou seja, cada ponta tem um Orixá responsável.

Essências Divinas

  1. Essência Cristalina
  2. Essência Mineral
  3. Essência Vegetal
  4. Essência Ignea (fogo)
  5. Essência Aérea
  6. Essência Telúrica (terra)
  7. Essência Aquática

Essências e Manifestações

  1. Essência Cristalina > Fé
  2. Essência Mineral > Amor
  3. Essência Vegetal > Conhecimento
  4. Essência Ignea > Justiça
  5. Essência Aérea > Lei
  6. Essência Telúrica > Evolução
  7. Essência Aquática > Vida

Essências e Manifestações com detalhes

  1. Essência Cristalina > Fé, religiosidade, ascenção, confiança
  2. Essência Mineral > Amor, fecundidade, comunhão, concepção
  3. Essência Vegetal > Conhecimento, compreensão, estudo, criatividade
  4. Essência Ignea > Justiça, racionalidade
  5. Essência Aérea > Lei, ordenação, hierarquia
  6. Essência Telúrica > Evolução, razão e forma
  7. Essência Aquática > Vida, geração, fertilidade e maternidade

Essências, Manifestações e Orixás Essenciais

  1. Essência Cristalina > Fé > Oxalá
  2. Essência Mineral > Amor > Oxum
  3. Essência Vegetal > Conhecimento > Oxóssi
  4. Essência Ignea > Justiça > Xangô
  5. Essência Aérea > Lei > Ogum
  6. Essência Telúrica > Evolução > Obaluaê
  7. Essência Aquática > Vida > Iemanjá

Essências, Manifestações, Orixás e Polaridades

  1. Essência Cristalina > Fé > Oxalá (++) Logunan (—)
  2. Essência Mineral > Amor > Oxum (—) Oxumaré (++)
  3. Essência Vegetal > Conhecimento > Oxóssi (–+) Obá (–+)
  4. Essência Ignea > Justiça > Xangô (++) Egunitá
  5. Essência Aérea > Lei > Ogum (++) Iansá (—)
  6. Essência Telúrica > Evolução > Obaluaê (+–) Nanã (–+)
  7. Essência Aquática > Vida > Iemanjá (–+) Omolu (+–)

As polaridades também podem ser referenciadas como energia “ativa” e “passiva”, energia “masculina” e “feminina” ou energia “positiva” e “negativa”.

Se quiser aprofundar no tema, leia o Livro “Sete linhas da Umbanda” de Rubens Saraceni.

Curiosidades

Energias

Os Orixás essenciais ou ancestrais, apesar de terem essências específicas, conseguem trabalhar diferentes energias ou manifestações.

Obaluaê pode trabalhar o amor, enquanto Oxóssi pode trabalhar a Justiça, todos podem atuar em todas as essências, manifestações e elementos divinos.

As vezes estamos cultuando um Orixá, recebendo atendimento de uma falange de entidades ligada a este Orixá, com foco nas qualidades e essências do Orixá, mas isso não significa que os outros não estão próximos ajudando e atuando no mesmo jardim divino.

Polaridades

Algumas interpretações, cursos, materiais, livros sobre as polaridades podem conter diferenças como:

  • O par de polaridade de Xangô ser Egunitá
  • O par de polaridade de Ogum ser Iansã

Isso pode ocorrer nos materiais – em especial – dos filhos formados por Saraceni, que podem ter modificado alguns entendimentos.

Para este texto eu retirei as informações diretamente do livro do Saraceni, Sete Linhas da Umbanda, sexta edição.

Sete linhas Diferentes

As sete linhas vão variar conforme a casa, a linha da umbanda, o autor de livro, então entenda qual linha sua casa segue e se aprofunde no tema.

Referências

  • Livro Sete Linhas da Umbanda, sexta edição, Rubens Saraceni

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Iemanjá, Oxum e Nanã, quando juntas, são chamadas de Grandes Mães, Iabás (orixás femininas) ou, mais especificamente, as Senhoras das Águas. 

Aqui estão os principais pontos sobre essa união

• As Três Águas: Elas representam o ciclo completo das águas e da vida. Oxum é a água doce, o rio; Iemanjá é a água salgada, o mar; Nanã é a água parada, a lama primordial de onde viemos.

• Maternidade e Criação: Juntas, representam o aspecto feminino do amor, da sabedoria e da maternidade. Nanã forma o corpo, Oxum traz a fertilidade e Iemanjá dá o acolhimento.

• Regência: São frequentemente cultuadas juntas como as grandes nutridoras da humanidade.

• Qualidades de Iemanjá: Algumas qualidades de Iemanjá, como a Yemanjá Ayio (a mais velha), são conhecidas por “comer com Oxum e Nanã”, reforçando a união dessas forças. 

Elas são saudadas coletivamente como a força do sagrado feminino nas águas. 

Variações

Em algumas casas, linhas, Iansã também é senhora das águas, tendo domínio sobre as águas das chuvas.

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Fazendo algumas pesquisas na internet sobre qual o dia das semana de cada Orixá, reuni essas informações que confesso ainda carecem de fontes mais confiáveis, mas já tenho um norte!

Domingo

  • Nanã
  • Ibejada

Segunda-feira

  • Omolú, Obaluaiê
  • Irôko
  • Exú e Pombagira
  • Linha dos Pretos Velhos e Pretas Velhas

Terça-feria

  • Ogum
  • Oxumarê
  • Ewá
  • Linha dos Baianos e Baianas
  • Linha dos Boiadeiros e Boidadeiras

Quarta-feira

  • Xangô
  • Iansã
  • Obá

Quinta-feira

  • Oxóssi
  • Ossaim
  • Logunedé
  • Linha dos Caboclos e Caboclas

Sexta-feira

  • Oxalá
  • Oxaguiã
  • Oxalufã
  • Linha do oriente

Sábado

  • Senhoras das águas
    • Iemanjá
    • Oxum
    • Nanã
  • As demais orixás femininas (Iabás).
  • Linha dos Marinheiros e Marinheiras

Referências

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Fiz esse guia para eu me lembrar e fixar as saudações aos Orixás.

Como sou marinheiro de primeira viagem, e estou começando meu caminhar na Umbanda, posso dizer que isso me ajuda bastante, sempre que preciso volto aqui nessas anotações.

Última atualização: 29/Jan

Ancestrais

Oxalá > Epa Babá

Ogum > Ogunhê

Iansã > Eparrey Oyá

Oxóssi > Okê Aro

Xangô > Kao Cabecilê

Oxum > Ora Iê Iê Ô

Nanã > Saluba

Iemanjá > Odoyá

Omulu/Obaluaê > Atotô

Filhos dos Orixás

Obá (Oxalá e Iansã) > Akiro Obá Ié

Oxumaré (Oxalá e Nanã) > Arroboboi

Ossain (Oxalá e Nanã) > Ewé ó!

Ewá (Oxalá e Nanã) > Ri Rô Ewá!

Logunan (Oxum e Oxóssi) > Olha o tempo

Egunitá (Oxalá e Iemanjá) > Kali-Yê

Entidades de esquerda

Exu/Pombagira/Mirins > Laroyê Exu/Pombagira > Exu/Pombagira é Mojubá

Entidades diversas

Pretos Velhos(as) > Adorei as almas

Erês > Salve a ibejada > Salve as crianças > Bejiróó! > Oni Beijada!

Caboclos(as) > Saravá Cabloco(a)! > Okê Caboclo(a)! > Okê Cabloco(a)! > Okê aro! > Marrumbá Xetru Caboclo(a), Xetruá!

Boiaderos(as) > Xetruá, seu Boiadeiro! > Xetruá Boiadeira! > Marrumbá, Xetruá, Boiadeiros(as)! > Saravá, meu Pai Boiadeiro! > Saravá, minha mãe Boiadeira!

Marinheiros(as) > Salve os Marinheiros(as)! > Saravá os Navegantes! > Salve as Sete Ondas! > Salve a Marujada!

Baianos(as) > É da Bahia, meu Pai! > É da Bahia, minha mãe! > Salve os Baianos! > Salve as Baianas! > Saravá Bahia!

Malandros > Salve os Malandros da Umbanda! > Laroyê, Malandro! > Salve seu Zé!

Ciganos(as) > Optchá!

Este novo blog é para catalogar meus estudos sobre a Umbanda, nova doutrina que estudo.

[s] Guto